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O presidente da Unimed do Brasil, Omar Abujamra Junior, participou de painel sobre a mudança no perfil etário do brasileiro, o papel da Atenção Primária à Saúde e de investimentos em centros de Cuidados Paliativos como estratégias de negócio. Juntamente com ele, estiveram o consultor de Atenção à Saúde da Seguros Unimed, Gustavo Gusso, e o médico geriatra e paliativista, diretor do Grupo Asas, Douglas Crispim.
 
 

Um dos destaques da programação do VI Seminário de Saúde Suplementar dos estados da Bahia e Pernambuco foi uma mesa técnica sobre “Transição demográfica e seus reflexos na saúde suplementar”. Para refletir sobre o tema, foram convidados o presidente da Unimed do Brasil, Omar Abujamra Junior, o médico e consultor de Atenção à Saúde da Seguros Unimed, Gustavo Gusso, e o médico geriatra e paliativista, diretor do Grupo Asas, Douglas Crispim. Eles trouxeram um panorama dos pontos de vista assistencial, de processos e de modelos. O painel foi moderado pelo presidente da Seguros Unimed, Helton Freitas.

Omar Abujamra Junior foi o primeiro a se apresentar. Ele contextualizou as mudanças na demografia a partir de dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). “Quando olhamos o nosso setor e as projeções para o futuro, não podemos abrir mão de uma reflexão fundamental e oportuna sobre a transição demográfica. Se observarmos as variações na pirâmide etária de 2010 para 2022, fica perceptível a redução das faixas de base e o caminhar da população para as faixas mais altas. Em 2022, a população idosa com 60 anos ou mais de idade chegou a mais de 32 milhões de pessoas (15,6%), um aumento de 56% em relação a 2010, quando esse total era de 20,5 milhões (10,8%)”, explicou.

Na base da pirâmide, também é possível notar mudanças significativas. “O total de crianças com até 14 anos de idade recuou de 46 milhões (24,1%) em 2010 para 40 milhões (19,8%) em 2022, uma queda de 12,6%”, destacou o presidente da Confederação. “Olhando a pirâmide da saúde suplementar, vemos que esse cenário se confirma, com um estreitamento da base e um crescimento das faixas mais altas, sinalizando desafios para o atual modelo dos planos de saúde, fundado no pacto intergeracional”, completou.

Atenção primária e cuidados paliativos

Omar Abujamra Junior reforçou que, no contexto dos planos de saúde, dois caminhos têm sido pensados no que diz respeito à transição demográfica: a atenção primária como ferramenta para a coordenação do cuidado e a estruturação de serviços consistentes de cuidados paliativos.

Nesse sentido, Gustavo Gusso, consultor da Seguros Unimed, trouxe algumas contribuições relacionadas ao pilar Atenção Primária à Saúde. Ele destacou outras experiências com esse modelo no mundo. “Um dos aspectos relacionados ao modelo é justamente o uso de dados para maior efetividade do tratamento dos pacientes, a chamada interoperabilidade, e o uso de sistemas que dão suporte à decisão clínica”, afirmou, reforçando a necessidade de modelos centrados nas pessoas e de se integrar cuidado presencial e virtual.

O geriatra e paliativista Douglas Crispim já auxiliou diversas Unimeds na configuração de serviços de cuidados paliativos e trouxe uma abordagem sobre o tema. Ele explica que esse modelo de cuidado não precisa ser adotado somente no final da vida das pessoas e pode ser estendido por mais tempo, ajudando, inclusive, a evitar desperdícios na assistência. “Quanto mais perto do fim da vida, mais caros são os cuidados. Por isso, é importante que as operadoras estruturem serviços de cuidados paliativos que considerem um plano gerenciado e a multimodalidade”, concluiu.