Protagonismo asiático, mudanças tecnológicas, acirramento entre potências e polarização trazem impactos ao setor. Brasil pode se beneficiar pela neutralidade.
O autor, colunista, palestrante e professor de Relações Internacionais Oliver Stuenkel, um dos principais analistas políticos da América Latina, apresentou aos participantes do Seminário Nacional as tendências internacionais e seu impacto na saúde, em mesa mediada pelo Diretor de Desenvolvimento de Mercado da Unimed do Brasil, Luís Francisco Costa.
Para o especialista, um olhar além dos Estados Unidos e da Europa como líderes mundiais, a revolução tecnológica, o acirramento de tensões entre grandes potências e a polarização ao redor do mundo trazem necessidades de um novo posicionamento do setor de saúde:
Protagonismo asiático
O deslocamento do poder para os países da Ásia é uma tendência cada vez mais consolidada, segundo Stuenkel, que cita a previsão de crescimento de países emergentes como Índia e Indonésia, acompanhados da China, acima de 4,7% em 2024 e 2025. Os EUA, no cenário, têm previsão de 1,5%, acompanhada do crescimento da inflação.
“Não devemos ignorar o Ocidente, mas é preciso ajustar o nosso olhar. A origem de muitas tendências está na Ásia, que além do crescimento econômico, tem avançado em tecnologia, regulamentações e, ao contrário do que muitos pensam, no fortalecimento da democracia. E se queremos também um mundo mais sustentável, temos de entender que a discussão sobre emissão de gases estufa e consumo de energia, por exemplo, passam necessariamente pelo continente”, destaca.
Neste contexto, o palestrante citou ainda o crescimento do economias da Indonésia, Vietnã e da transcontinental Turquia e ressaltou a necessidade de projeção na política externa pelo Brasil nesses países.
Mudanças tecnológicas
Para Stuenkel, as mudanças tecnológicas têm impactado a forma de entender o mundo e antecipar tendências, com a capacidade de promover discussões e de interpretar grande quantidade de dados em tempo real por meio do uso cada vez mais cotidiano da inteligência artificial.
“A entrada de IA permite sofisticar o serviço em saúde, antecipar diagnósticos dos quadros e investir amplamente em educação e tratamento dos quadros, graças ao machine learning e ao big data. Esse contexto requer atenção dobrada para investimentos, novas tendências e oportunidades. A saúde nunca esteve tão próxima de ser cada vez mais acessível e de se transformar, para a melhor oferta em atendimento em escala global”, disse.
Acirramento entre potências
O mundo dos últimos 40 anos é marcado pela liderança do Ocidente, protagonizada pelos EUA e países da Europa. É o cenário em que crescemos e vivemos, sem acirramento de grandes conflitos, como na Guerra Fria, entre os americanos e a União Soviética. As tensões frequentes, porém, apontam para um mundo mais polarizado, segundo Stuenkel.
Para ele, de fato, a China cresceu além e, a partir de 2015, a sociedade acompanhou a transição para um mundo multipolar e mais instável no cenário geopolítico. Conflitos híbridos, ataques cibernéticos, guerras comerciais e intensificação de sanções foram temas que ganharam a agenda.
A previsão é de riscos momentâneos de inflação e de cadeias de suprimentos menos globais e mais locais. “Com a geopolitização, há impactos na saúde, com aumento de restrições comerciais ligadas à biotecnologia, demanda por autossuficiência, risco de escassez de remédios e aumento dos preços e de fragmentação do ambiente regulatório global”, afirmou.
Polarização? Há vantagens para o Brasil
O acirramento não traz somente más notícias em termos de oportunidades para nós, brasileiros. Na avaliação de Stuenkel, o país, pela sua dimensão intercontinental, tem tendência de olhar para dentro e às vezes esquece que muito do que acontece é resultado de influências globais.
Para ele, em relação a guerras ou embargos, a América Latina é a região mais segura de se viver, longe de conflitos locais. Dessa forma, o Brasil pode se beneficiar de oportunidades, com negociações abertas e influência política e comercial com neutralidade.
“O Brasil dificilmente toma lados quando as grandes nações batem de frente. E se beneficia disso comercialmente. Essa postura de neutralidade ocorre independente de quem for o próximo presidente, pois acredito que o Brasil é menos polarizado do que se pensa em geopolítica. Precisamos comprar o fertilizante russo, cooperar com empresas de tecnologia ao redor do mundo, adquirir commodities da China e receber investimentos dos EUA”, destacou.
Para o especialista, essa divisão econômica traz grande impacto para a saúde global e para a pesquisa científica. “Na pandemia, não houve cooperação rápida entre EUA, China e Europa para distribuir vacinas no mundo inteiro. Esse é um exemplo do que pode acontecer no futuro. Neste cenário, a cooperação pode se sobressair sobre a competição, com um Brasil desempenhando um papel importante e de ganhos ao compartilhar e receber insumos, estudos e informações, entre todos esses países”.
Cenário macroeconômico brasileiro e perspectivas para 2024
A programação do segundo dia do Seminário Nacional, na sala Financeiro, contou com palestra de Celson Plácido, CEO da Warren Asset Management e renomado profissional do mercado financeiro. Em um painel moderado pelo vice-presidente da Unimed do Brasil, Emilson Ferreira Lorca, o especialista explorou as principais tendências e perspectivas da economia nacional e global, abordando questões do cenário econômico atual e explicando o impacto na vida das pessoas, diante da aplicação de taxas de juros, inflação, índices IPCA e Ibovespa, além do valor do dólar. Celson ainda explicou sobre a importância da educação financeira, dando o próprio exemplo de como trabalha a questão com os filhos desde muito jovens.
Confira abaixo uma mensagem dos especialistas com pontos abordados em suas palestras com o foco em uma vida em pleno equilíbrio financeiro.