Permitir que os pacientes tenham acesso a seus dados de saúde, de forma integrada e segura, para que autorizem e criem suas próprias cadeias de serviços, hospitais e médicos, constituída por diferentes players e fornecedores, foi o cerne do debate sobre conectividade, com participação do superintendente de TI e Inovação da Unimed do Brasil, Maurício Cerri, do gestor de Inovação e Estratégia em TI, Eduardo Sleiman, e do presidente da Sociedade Brasileira de Informática em Saúde (Sbis), Luis Gustavo Gasparini Kiatake.
De forma parecida ao Open Banking, a Open Health possibilitará a integração da rede de saúde de forma abrangente, segura e com o consentimento total do paciente. Dessa forma, poderá gerar competitividade entre as empresas, inovação em serviços, com mais qualidade e facilidades para os usuários.
Segundo Cerri, o advento da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) fez a Open Health “ganhar musculatura”. O tema está contemplado no Plano Diretor de Tecnologia da Informação (PDTI) que está em construção e contará com a contribuição das Federações do Sistema Unimed, evoluindo junto ao Planejamento Estratégico do Sistema Unimed. Além da Open Health, o PDTI conta com mais dez grandes pilares de tecnologia.
“O Registro Eletrônico de Saúde (RES) e o Prontuário Eletrônico do Paciente (PEP) são ótimos exemplos de conectividade, e a Unimed foi pioneira em padrões de conectividade em saúde e RES. Agora, estamos com a missão de compartilharmos as informações de forma segura com o uso de tecnologias, assim como os bancos fizeram, e propor um modelo de governança robusto para trazer mais segurança para o médico cooperado. Ter acesso aos dados clínicos dos pacientes, na hora certa, de maneira padronizada e com impacto direto na decisão clínica, viabiliza a jornada integrada de saúde aos nossos clientes”, explicou.
Sleiman enfatizou que é necessário união e integração entre as cooperativas Unimed para alcançar os objetivos estratégicos da marca. “Precisamos mapear quais são os sistemas e dados que temos atualmente. Conectá-los nos levará a uma saúde 100% digital e possibilitará criar novas formas de serviços e de cuidados para nos mantermos sustentáveis e competitivos no mercado”, disse.
Mas implementar Open Health dentro de um setor tão grande e diversificado é um desafio, de acordo com Kiatake. Algumas iniciativas, tanto do setor público quanto privado, já estão sendo realizadas.
Como exemplos, ele citou o Comitê Gestor de Saúde Digital do Governo Federal, em parceria com entidades como a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e outras; o Projeto de Lei nº 3.814/20, que dispõe sobre a digitalização e a utilização de sistemas informatizados para a guarda, o armazenamento e o manuseio de prontuário de paciente, para pressionar o Sistema Único de Saúde a manter plataforma digital única com informações de saúde dos pacientes; e a retomada do fórum Câmara da Saúde 4.0, lançada em janeiro de 2020 com o objetivo de implementar ações destinadas à melhoria da efetividade da assistência à saúde por meio do monitoramento contínuo dos pacientes e da adoção de soluções de Internet das Coisas.
Entre os casos bem-sucedidos de troca de informações no País, Kiatake citou a Troca de Informação em Saúde Suplementar (TISS), da ANS, que teve a sua criação baseada nas transações do Intercâmbio Nacional do Sistema Unimed. |