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As transformações no sistema de saúde e o investimento na verticalização

 
Capital estrangeiro, crise econômica, alterações demográficas e alternativas de negócios movimentam setor de saúde suplementar e impõem desafios às operadoras.
 
 

Rede Assistencial foi um dos painéis estratégicos abordados durante o evento, no intuito de fomentar a reflexão sobre como potencializar os recursos próprios do Sistema, a força da sua extensa rede e capilaridade como diferenciais competitivos, as oportunidades de segmentação para fomentar vendas e o desafio de conter o aumento dos custos no segmento.

Para conduzir essa reflexão, o Fórum escalou Raphael Falcioni, vice-presidente sênior do Itaú BBA e head da cobertura do setor de Saúde. O executivo atuou em mais de 50 fusões e aquisições no mercado, sendo algumas das transações mais emblemáticas da área de Saúde. Respaldado pela sua experiência, Raphael abordou o tema Estratégia Assistencial: Os Desafios de Formar e Manter uma Rede Eficiente e Sustentável. Conheça os três principais destaques da sua palestra: 

De acordo com o especialista, o Brasil passa por uma revolução no sistema de saúde, com um grande holofote na indústria desde que a Lei nº 13.097, de janeiro de 2015, foi aprovada. A nova legislaçãopermitiu- que as organizações de saúde com participação parcial ou total de capital estrangeiro não encontrassem mais impedimentos legais para se desenvolver em solo brasileiro, o que aqueceu o mercado de saúde suplementar, tornando-o mais competitivo.

Falcioni trouxe alguns pontos que estimulam o investimento estrangeiro no País, como o imenso contingente populacional; a baixa penetração de planos privados com alta capacidade de expansão, já que menos de 25% dos brasileiros têm acesso a um plano de saúde; a oportunidade de venda casada com planos odontológicos; a alta capacidade de consolidação; e o ganho de share e potencial para expansão de gastos.

“Os prestadores de serviços nacionais precisam encontrar novas soluções para se manterem competitivos diante desse mercado”, disse o especialista, trazendo como exemplo operadoras que investiram em tíquetes mais baixos – para clientes que não têm poder aquisitivo –, mas se concentraram em uma operação verticalizada, que tem sido fundamental para o controle de despesas assistenciais.

Ele também explanou sobre o modelo de negócios integrado (planos de saúde e serviços), que se tornou uma tendência no mercado brasileiro para enfrentar as dificuldades e gerar resultados, e o investimento em medicina preventiva e novas tecnologias para conter a alta de custos em virtude do envelhecimento da população e o consequente aumento da ocorrência de doenças crônicas.

“As operadoras têm apresentado uma base mais turbinada, influenciada pela possibilidade de portabilidade. Mesmo diante desse fator e da atual crise, a Unimed manteve sua média de número de beneficiários. Porém, há uma parcela da população que quer qualidade, mas está tendo que migrar a outros segmentos de produtos, por conta dos custos. É preciso olhar para isso para se manter agressivo no mercado”, alertou Falcioni, pontuando que repasses dos custos para as empresas contratantes, downgrade de benefícios, aumento de mensalidades para clientes e aumento de glosas para prestadores não são modelos sustentáveis e estimulantes para o negócio. 

Após a palestra, os participantes se dividiram em grupos para debater soluções a desafios propostos com o tema de cada painel. As iniciativas sugeridas foram compiladas e serão apresentadas em um relatório ao Sistema Unimed, com os devidos encaminhamentos.