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Ao abordar cenário para 2023, o professor e economista destacou projeção de crescimento de 2,5% do PIB e necessidade de reforma tributária, entre outros desafios do setor.
 
 
“Ninguém passa por um período turbulento sem robustez. O cooperativismo oferece autonomia, com corresponsabilidade pelos resultados diretos, ao mesmo tempo em que é compatível ao sistema de preços em uma economia de mercado”. A frase é do escritor, professor e economista Eduardo Giannetti, um dos mais influentes analistas e intelectuais sobre o tema, ao relatar o sucesso de 55 anos do Sistema Unimed, em palestra na 51ª Convenção Nacional Unimed.

Recém-empossado na Academia Brasileira de Letras, Giannetti destacou que é um admirador do cooperativismo como alternativa ao modelo atual de trabalho e elencou os desafios e perspectivas para a economia brasileira nos próximos anos, em palestra moderada pelo diretor de Desenvolvimento e Mercado da Confederação, Rubens Carlos de Oliveira Júnior.

Projeções para 2023

O economista destacou o contexto global, com o término de ciclos de juros e inflação baixa, para abordar os desafios da economia brasileira. Para Gianetti, o cenário previsto no país é de recessão curta, suave e de crescimento moderado, sem estagflação, considerando o período sem grandes desequilíbrios financeiros, a redução expressiva no preço das commodities, e que o pico da inflação possa estar superado.

Para Giannetti, as contas externas em ordem, o fluxo de investimento estrangeiro elevado – na ordem de R$60 bilhões, os US$ 346,4 bilhões em caixa em reservas internacionais e a projeção de crescimento acima do esperado neste ano, em torno de 2,5%, elevam a confiança. “Essa evolução, no entanto, não pode se dar sempre na base do que chamamos de anabolizantes, com gastos contínuos e não flexibilizados, como a antecipação de pagamentos como o FGTS e o 13º de aposentados, e o aumento de investimentos de estados e municípios no contexto eleitoral”.
Giannetti estima um crescimento na ordem de 1% do PIB brasileiro em 2023, próximo do crescimento populacional, e renda per capita estagnada, colocando como desafios principais o crescimento em produtividade, com capital humano qualificado, e o endereçamento da questão fiscal pelo próximo presidente, para que o país possa avançar.

Capital humano e produtividade

“Temos que fazer reformas, a primeira é a tributária. Não dá para o país ser produtivo sem transparência, clareza e simplicidade. Eu sou um otimista congênito, continuo acreditando em um Brasil sem polarização, que possa avançar com serenidade e objetividade, valorizando o seu capital humano e produtividade, com infraestrutura, ambiente de negócios, abertura maior de mercado e concretizando as reformas necessárias”, afirmou.