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Na plenária do Congresso, a palestrante internacional Maureen Lewis, CEO da Aceso Global, discorreu sobre os modelos de remuneração atuais e afirmou a necessidade de o Brasil rever sua estratégia. Clique na imagem e confira uma entrevista com a especialista.
 
 
A remuneração nos serviços de saúde foi uma das pautas da terceira edição do Congresso. Em uma das suas plenárias, conduzida pelo diretor de Gestão de Saúde da Unimed do Brasil, Marcos de Almeida Cunha, o evento debateu como outros países tratam da remuneração alternativa em saúde, no intuito de analisar junto às cooperativas Unimed os modelos que estão sendo adotados em nível mundial.

Maureen Lewis, CEO da Aceso Global – organização que promove inovações em sistemas de saúde e hospitais em todo o mundo – foi a convidada do Congresso para abordar o tema. Referência no setor, Maureen atua como consultora de líderes governamentais e privados há mais de 25 anos.

A partir de uma breve análise sobre a gestão de saúde no Brasil, a palestrante internacional identificou que o país passa por um momento delicado em que a espiral de custos implica na necessidade de atuar de forma diferente da atual. Mesmo assim, ela enxerga grandes oportunidades para a expansão de modelos assistenciais alternativos.

A partir desse cenário, Maureen abordou os principais modelos em vigência, com foco em desmitificá-los e observar conexões com o cenário brasileiro. Ao falar sobre Value Based Healthcare (VBHC) – conceito que busca inovar o modelo de atendimento baseado em valorizar a saúde, recompensando os profissionais conforme a melhora do paciente -, ela foi categórica ao afirmar que o sistema de saúde do país não está preparado para o movimento, devido a questões como o envelhecimento acelerado, crescimento de doenças crônicas e de custos sem melhorias na qualidade do cuidado.

“É necessário que os gestores das operadoras definam objetivos claros, os recursos e os incentivos necessários para a implementação de um novo modelo de remuneração. Esses três itens são muito sistemáticos, uma vez que precisam utilizar dados para avaliar se os objetivos estão atingindo as áreas essenciais. Se o propósito é melhorar a qualidade, tem de saber como esse modelo de remuneração será desenvolvido, se estão seguindo os passos necessários para alcançar os resultados e evitar que aconteçam falhas”, comentou.

Maureen acrescentou que “estabelecer um novo modelo de remuneração não quer dizer que ele vai dar certo”. Para ela, os sistemas tradicionais de pagamento limitam a flexibilidade para a gestão da saúde, sendo que modelos alternativos, como incentivos no pagamento, podem ser um caminho na promoção da eficiência e da qualidade na prestação de serviços. 
“Há muitos passos para implementar um modelo de remuneração e avaliar se está funcionando como foi previsto. É preciso ter objetivos claros, recursos adequados, incentivos alinhados com os objetivos - o que frequentemente não são - e capacitar as pessoas. Sem esses requisitos, o modelo não dá certo. E sabemos que há modelos que não têm sucesso”, analisou.

Durante a palestra, a CEO da Aceso Global contextualizou sobre alguns tipos de incentivos inseridos no mercado, explicando as formas de aplicações, os desafios e os riscos. “É necessário testar para verificar o que dá certo em cada localidade. O bom no Brasil é que a inovação faz parte do DNA do país. Estou sempre otimista com o futuro do setor”, disse.

Maureen concluiu a apresentação falando sobre a Accountable Care Organizations (ACO), modelo dirigido por prestadores que se responsabilizam pelos custos e pela qualidade dos resultados obtidos para uma população definida. Segundo ela, as ACOs podem oferecer um novo caminho para que a Unimed possa inovar em saúde, a partir de um sistema de pagamentos que apoia a mudança, o enfrentamento da espiral de custos e uma estrutura para aumentar a qualidade da prestação de serviços. “Eu gosto muito da ACOs, uma inovação que vincula excelência em serviços clínicos e em gestão, com foco em qualidade no uso de dados.”