As lições aprendidas e a perspectiva baseada na coordenação do cuidado, com a experiência da Atenção Primária à Saúde no Sistema Unimed, foram temas de debates no primeiro dia do 3º Congresso Nacional Unimed de Gestão de Saúde.
Uma das mesas, mediada pelo diretor de Gestão de Saúde da Confederação, Marcos de Almeida Cunha, teve a participação da médica e professora titular da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas, Ana Maria Malik; da gestora em APS e presidente da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade, Zeliete Zambom; e do diretor de Desenvolvimento Setorial da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), Maurício Nunes da Silva.
Ana Maria contextualizou que a atenção primária é o primeiro nível de contato do paciente com o sistema de saúde, com alto potencial de ordenação da rede em seus diferentes níveis de assistência, mas que ainda é necessário melhorar a regulação para ajustar falhas de mercado, além de conter a judicialização e o excesso do uso de procedimentos e de medicamentos de alto custo.
“As propostas sinalizam a necessidade de melhorar os dados do SUS para a tomada de decisões apropriadas. Para isso, é necessária uma agenda convergente, com a participação conjunta de atores dos setores econômico, político e judicial”, disse, ressaltando que a saúde suplementar pode e deve oferecer serviços de atenção primária para gerar qualidade assistencial e reduzir desperdícios.
Para Zeliete Zambom, a APS deve ser coordenadora de cuidado dentro da rede e do sistema de saúde, em um ambiente para reduzir a alta sinistralidade e fazer uma atenção individualizada, centrada no indivíduo. “Precisamos de enfermeiros que façam a gestão de dados e médicos preparados, bem informados para dar resultado. E de um prontuário que se comunique e gere dados, com indicadores fidedignos. Além disso, de uma comunicação eficiente que valorize os benefícios da atenção primária e a sua real preocupação, junto ao paciente.” Zambom, ainda acrescenta sobre a importância do Estudo Populacional da carteira de clientes, contribuindo assertivamente para que se consiga entregar os atributos da APS.
Para Maurício Nunes, da ANS, a Atenção Primária é o primeiro passo pra fazer reformas de sistemas de saúde, sejam eles públicos ou privados. Ele cita como exemplo a incidência do câncer colorretal, com número alto de casos, mas que é altamente curável quando detectado no início. “Hoje, 70% dos contratos de plano são coletivos empresariais. O que é melhor? Tratamento ou prevenção desde o início? Eu acredito que a segunda opção, com a resposta vinda da atenção primária”, disse.
Maurício contextualiza a existência de 22 operadoras, sendo 12 do Sistema Unimed, em um universo de mais de 700 operadoras. Estas 22 operadoras seguem na implementação do modelo APS com monitoramento da Colaborativa, projeto que ocorre por meio da parceria ANS, HAOC, IHI e SBMFC. Considera que a nossa estrutura de Intercâmbio é uma vantagem para que a marca seja agente de mudanças nesse aspecto.
A partir desse gancho e dos novos modelos de atuação, o Congresso ainda debateu como aumentar a resolutividade da APS por meio da telemedicina, em uma mesa conduzida pelo diretor de Regulação, Monitoramento e Serviços da Unimed do Brasil, Claudio Laudares Moreira, e a participação do médico de família e CEO da Bioaps, Carlos Braga, e do coordenador de TI da Federação Nordeste Paulista, Gustavo Priuli.
Os palestrantes abordaram os modelos de linhas de cuidado construídos com base na atenção primária e na telemedicina. Braga destacou soluções da Bioaps para esse tipo de atuação, enquanto Priuli apresentou o case da Unimed Ribeirão Preto (SP), que possui uma unidade específica para esse tipo atendimento. Nesse sentido, desempenham um trabalho assistencial com a carteira de clientes da OPS. Ambos, destacaram que a Telemedicina deve ser utilizada como um meio, para contribuir na oferta do acesso aos beneficiários inseridos em uma linha de cuidado da APS.
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