As áreas de tecnologia e de negócios devem caminhar juntas para concretizar a transformação digital e impulsionar o desenvolvimento das empresas. A importância dessa integração e sinergia é consenso na opinião dos participantes da mesa Tendências e Novas Organizações de TI, realizada no segundo dia do evento, promovido pela Confederação.
Moderado pela gerente de Tecnologia da Informação da Unimed do Brasil, Elaine Toledo, o debate contou com a participação de Anderson Cunha, CIO da Gartner – empresa especializada em mentoria para executivos de grandes empresas; Denis Dias, CIO e Head de TI na Unimed Fesp; Wilson Leal, diretor de Mercado e Tecnologia da Seguros Unimed; e Humberto Shida, superintendente de Tecnologia na Unimed Nacional.
"Ninguém tem dúvidas de que nós estamos passando por um processo de transformação tecnológica sem precedentes e exponencial e, a velocidade das mudanças, o surgimento de novas e mais acessíveis tecnologias, aliada à hiperconexão das pessoas, exigem de nós, da área de tecnologia, uma nova forma de nos organizarmos e entregarmos valor ao negócio”, diz Elaine, ao introduzir o tema e iniciar o debate.
“Como suporte a um time global, com 200 clientes diferentes por ano, observo que todas as empresas, sem exceção, estão em uma jornada para evoluir o modelo operacional de tecnologia, tendo como desafio alinhar a forma como ela está organizada conforme a cultura da organização e o compromisso de cada um nas entregas”, diz Cunha, que ressalta as transformações digitais no pós-pandemia e a expectativa das pessoas como agentes aceleradores.
Na área de saúde em particular, hospitais e triagens mais inteligentes e a interação contínua na jornada do usuário – desde a marcação de consultas até o acompanhamento final dentro do cuidado virtual (virtual care) -, representam o âmago da transformação digital, segundo Cunha. “A velocidade nos pressiona, em um modelo de negócios impactado cada vez mais pela tecnologia. A expectativa do cliente é por eficiência. Nesse ponto, precisamos colocar mais gente desenvolvendo sistemas, atuando em infraestrutura, com key users presentes e TI e negócio lado a lado.”
Protagonismo para concretizar mudanças
“A tecnologia é o motor que faz a empresa girar. E a cultura adequada é fator primordial para as transformações darem certo, com o cliente no centro. Nós somos uma empresa que vende planos de saúde e seguros e TI tem um protagonismo nisso. Precisamos olhar a tecnologia com o senso de dono, mirando a qualidade toda do processo, desde a emissão de apólice até cobrança, e atentos sobre como aprimorar esses processos. Temos buscado esse caminho gradualmente, sem silos organizacionais, com todos avançando juntos”, disse Wilson Leal, ao contextualizar a experiência da Seguros Unimed.
Para Denis Dias, da Unimed Fesp, melhorar a capacidade de negócio vai além das entregas simples e o avanço ocorre quando TI passa a se organizar como serviço de infraestrutura e tem mais autonomia e agilidade pra inovar e evoluir, com protagonismo. “Esse processo todo é uma jornada. Temos atuado com uma TI operacional, que garante o funcionamento do dia a dia, diante de regulações diferentes do varejo, por exemplo, e também buscando metodologias mais ágeis, cientes de que, com governança e boa gestão, é possível concretizar mudanças”, disse, citando ainda a atuação da Vittal, hub de inovação, em parceria com startups para a busca de soluções.
Humberto Shida, da Unimed Nacional, abordou as transformações aceleradas pela pandemia e a oportunidade de reestruturar o modelo digital, de forma escalonável e sustentável. “Fizemos a remodelagem considerando uma TI bimodal, que mantem a operação em dia, mas está atenta a novos modelos de negócios e de onde quer chegar, com profissionais cada vez mais capacitados. Valorizamos a experiência do usuário, evitando a reincidência de problemas, com uma gestão à vista semanal, alinhamento com prestadores de serviços e uso da metodologia ágil para avançarmos”, disse. |