A interoperabilidade de dados na saúde foi tema de uma das mesas do evento, que contou com a moderação do diretor de Regulação e Informação, Claudio Laudares Moreira, e participação da diretoria de Saúde da InterSystems, líder mundial no tema, Teresa Sacchetta, que proporcionou uma reflexão sobre a importância da gestão conjunta de dados e como esse processo traz ganhos para o setor.

Teresa destacou que o grande desafio ainda é organizar as informações que estão dentro das instituições. “Os dados de saúde ainda estão muito fragmentados, em vários sistemas e o primeiro passo seria integrar os dados dentro de casa.” A interoperabilidade é o segundo passo, em que há a conexão e interação entre diferentes sistemas.
“Na prática, interoperabilidade são dados de diferentes sistemas consolidados e normalizados proporcionando a visão da história clínica centrada no paciente, bem como a construção e gestão de programas de saúde e tomada de ação com base em dados reais constantemente atualizados”, afirmou a palestrante, acrescentando que, entre os desafios e barreiras para implantação dessa ampla rede de dados de saúde, está a necessidade de regulamentação, preocupações de cunho ético, questões sociais e infraestrutura de segurança da informação.
Entre alguns cases de interoperabilidade trazidos por Teresa, destaque para a Unimed do Brasil com a Interall que é a empresa de dados do Sistema Unimed e que hoje congrega as plataformas da Unimed, sendo tutora e responsável por esses dados. O objetivo da Interall é unificar não só dados clínicos, mas administrativos.

Impactos na gestão hospitalar com a implantação da certificação HIMSS-EMRAM
Ainda sob a perspectiva da gestão de dados, o Congresso trouxe para discussão a importância da implantação de métodos que guiem as instituições de saúde a serem mais digitais e reforçou o Programa de Excelência Digital da Unimed do Brasil, que visa tornar os hospitais do Sistema Unimed mais eficientes, com maior segurança na informação.
Estruturado junto a Folks, consultoria healthtech especializada em transformação digital na Saúde e parceira oficial Preferred da HIMSS para América Latina, o Programa já desenvolveu um Mapa de Maturidade Digital dos hospitais Unimed que participaram da pesquisa. Foram avaliados 70 dos 88 respondentes e, como resultado, a média da Unimed foi de 52%, frente à média geral da base Brasil, que é de 45% no índice de maturidade digital da Folks. A consulta apontou dados relevantes que podem ajudar a Unimed do Brasil a desenvolver programas específicos.
Representada no evento por Claudio Giulliano da Costa, a Folks detalhou que a segunda fase do Programa consiste em incorporar novas tecnologias com ajuda do Lab - Hub Unimed e suas parcerias com startups, já a terceira e última fase é a certificação com a HIMSS. “Ser digital é uma estratégia de governança”, afirmou Claudio.
Também participou da mesa Edson Cumpian Paulossi Junior, diretor Administrativo Corporativo da Unimed Sorocaba (SP), que apresentou os impactos na gestão hospitalar após a certificação HIMSS. “Os desafios da implantação foram muitos, um projeto abrangente para todo o hospital, em que foi fundamental o engajamento de todos.” Edson falou dos efeitos gerados no modelo assistencial, em processos como o financeiro que hoje representa o faturamento 100% sem papel, com maior eficiência na cobrança e transparência para o mercado. “A economia de papel traz uma cadeia, é muito mais do que trabalhar sem papel, há ganhos assistenciais importantes.”
A Unimed Sorocaba foi certificada em 2019, 2022 e deve passar por nova auditoria em fevereiro de 2025. |