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A sustentabilidade do sistema de saúde tem sido tema recorrente nas reflexões sobre o setor. No 4º Congresso Nacional Unimed de Gestão e Inovação em Saúde, a Unimed do Brasil promoveu, aos mais de mil participantes, discussões sobre novos modelos de negócio e a aplicabilidade da tecnologia no dia a dia da assistência.
 
 

A programação técnica do segundo dia do 4º Congresso Nacional Unimed de Gestão e Inovação em Saúde foi aberta com uma palestra sobre o “Novo modelo de negócios em saúde”, ministrada pelo sócio-líder do setor de Life Sciences & Health Care da Deloitte Brasil, Luís Fernando Vieira Joaquim. A moderação foi do diretor de Gestão de Saúde da Unimed do Brasil, Marcos de Almeida Cunha.

Joaquim abriu sua fala contextualizando o que é um modelo de negócio. “É a forma como as organizações se preparam e criam estratégias para entregar serviços e valor aos seus clientes. Todo modelo de negócio parte de uma reflexão estratégica sobre aonde queremos chegar e que valores queremos gerar para atender as expectativas do mercado”, explicou.

Nesse sentido, é fundamental pensar sobre qual mercado as organizações pretendem atingir em um contexto de grandes transformações, que exigem uma nova forma de ver, pensar e agir. Um novo jeito de se posicionar. “A saúde é uma cadeia complexa e o Sistema Unimed é pujante nesse cenário, pelo tamanho e pela presença em todo o território nacional”, afirmou Joaquim. Segundo ele, a inovação nesse contexto de complexidades se dá no modelo de cuidado e na gestão, uma vez que a pressão dos custos tem impactado a sustentabilidade dos negócios. “Vemos um grande movimento em direção à prevenção e ao bem-estar, saindo do conceito de doença para a promoção da saúde.”


Como os modelos estão evoluindo a partir da tecnologia

De acordo com Joaquim, os principais pilares que impactam o setor de saúde globalmente são a mudança dos hábitos dos consumidores, a transformação digital, as healthtecs, a consolidação do mercado, a saúde baseada em valor e a forte regulação do setor. Ele acredita que a oferta de saúde tende a mudar e os hospitais passarão a ter mais foco na alta complexidade, reduzindo suas estruturas. Em compensação, surgirá cada vez mais a figura do hospital em casa e do hospital virtual. “A tecnologia não vai substituir os profissionais, mas o médico que conhece de saúde digital vai substituir aquele que não conhece”, concluiu.

De que forma esse olhar para tecnologia na saúde se encaixa na realidade das pessoas foi a reflexão de uma outra mesa sobre “Saúde digital no mundo real”, que contou com a presença de um dos diretores da J&J MedTech no Brasil, Rafael Gris. O painel foi moderado pelo diretor de Administração e Finanças da Unimed do Brasil, Dilson Lamaita Miranda.

Rafael afirma que a inteligência artificial generativa é uma das maiores prioridades do mundo empresarial na área da saúde hoje e traz três possibilidades de aplicação e uso: como copiloto para as tarefas administrativas e assistenciais, com potencial de redução de horas de trabalho burocrático por dia do profissional da saúde; navegação do paciente por meio de assistentes digitais com processamento de linguagem natural, que guiará esse paciente por uma linha de cuidado personalizada; e ‘foundation models’ [modelos pré-treinados] especializados em determinados diagnósticos, como por exemplo arritmias cardíacas ou doenças raras. “Não podemos subestimar a complexidade da saúde. Não é uma tecnologia que vai resolver, mas conseguimos resultados melhores para os pacientes somando tecnologias e profissionais da saúde”, destacou.

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