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Mesas debatem modelos assistenciais com foco na integralidade do cuidado, na centralidade do paciente e no uso de ferramentas de tecnologia para a gestão da jornada do cliente no sistema de saúde.
 
 

Durante o 4º Congresso Nacional de Gestão e Inovação em Saúde, a Atenção Primária à Saúde (APS) foi um dos temas de reflexão. Concebido sob os princípios da universalidade, da acessibilidade, da continuidade do cuidado, da integralidade da atenção e da humanização dos atendimentos, o modelo serve como base para diversos sistemas de saúde do mundo, inclusive no Brasil. Mas, quais os principais desafios na adoção da APS?

Abordando as “Vantagens e Desvantagens do modelo de APS”, o sócio-fundador da Conectar, empresa de consultoria e treinamentos na área de Saúde, Christian Morato, enfatizou que quanto mais forte a Atenção Primária à Saúde, maior é a satisfação do beneficiário e menores são os custos com saúde. No entanto, desenvolver um modelo assistencial não é uma tarefa fácil, exigindo investimento e engajamento de todos os envolvidos. “O Sistema Unimed tem investido em APS, desde 2011 e, hoje, com 97 cooperativas aderentes, com 423 mil vidas vinculadas, está em um processo de reposicionamento e reestruturação com ênfase na atuação federativa, tendo como pilares o conceito de APS, padrões mínimos e a Trilha de APS no Sistema.”



O presidente GBCR (Brazilian Triage Group), representante do Protocolo de Manchester no Brasil, Welfane Cordeiro Junior, abordou o avanço do modelo assistencial em resposta às mudanças epidemiológicas e demográficas e destacou a necessidade de reposicionamento da APS, com ênfase na atuação federativa e na busca por padrões mínimos de qualidade. “É essencial continuar avançando em direção a um modelo mais integrado e eficiente, uma vez que há robustas evidências de que a Atenção Primária deve ser a base de um sistema de saúde contemporâneo. Podemos começar estruturando um modelo que seja padrão para operadoras e prestadoras.”

A mesa foi moderada pela gerente de Atenção à Saúde e NDI da Unimed do Brasil, Karen Midori Takarabe Aoki.

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Unimed Jaboticabal: um case sobre coordenação do cuidado

Na Unimed Jaboticabal (SP), um novo modelo já está sendo implementado, tendo a coordenação do cuidado como uma importante ferramenta para a gestão da sinistralidade. A atuação se dá junto aos clientes corporativos, que compõem mais de 70% de sua carteira, com o intuito de gerar uma assistência de qualidade e com efetividade, contribuindo para evitar reajustes altos nos contratos. O case foi compartilhado no painel “Porta certa na hora certa: como a coordenação de cuidados digital melhora processos e gera mais resultados”, que foi mediado pelo diretor de Administração e Finanças, Dilson Lamaita Miranda.

Regiane Mazzeo é gerente de Estratégia da Singular e explicou como foi esse processo. “Somos uma cooperativa pequena, mas temos trabalhado em nossa região com aquilo a que o Sistema Unimed se propõe: o nosso Jeito de Cuidar. Portanto, pensamos em um projeto que tivesse como objetivo trazer proximidade e acolhimento aos nossos clientes, de modo a promover saúde e não apenas cuidar dos desfechos. Hoje, temos o programa implementado dentro de nosso maior cliente corporativo”, comentou.

A iniciativa ganhou o nome de Programa GIS – Gestão Integrada da Saúde. “Construímos protocolos de linha de cuidado em conjunto com o contratante e definimos planos de cuidado. Iniciamos com os recursos que tínhamos, sem muita tecnologia. Até que estivemos aqui, neste Congresso, e conhecemos na Feira de Negócios a Bio, que tinha total alinhamento com o Jeito de Cuidar Unimed”, explica Regiane. “Em outubro de 2022, começamos a mensurar indicadores de resultado. Temos um médico que fica dentro da empresa, todos os dias, no turno da manhã, e dividimos os custos dos exames com o contratante. Com a nova ferramenta tecnológica, nosso objetivo é finalizar 2024 com toda a massa monitorada.”

A enfermeira e coordenadora de Cuidados na Bio, Graciana Covas, que também participou da mesa, explicou um pouco sobre a Atenção Primária à Saúde por meio digital. “Atualmente, 54% do custo assistencial é desperdício. Temos um cenário em que a atenção secundária está inchada, porque a porta de entrada é a busca por especialistas e excesso de exames. O nosso foco é fazer com que a base da pirâmide, ou seja, a atenção primária, seja de fato a porta de entrada dos pacientes no sistema de saúde. Para isso, precisamos dar acesso ao usuário e fazemos isso pela coordenação de cuidado 24 horas. Pelo aplicativo, o cliente se conecta a uma central de saúde o tempo todo. Conseguimos resolver entre 80% e 85% das demandas pela APS Digital.”

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Novas tecnologias e os desafios do sistema de saúde

O especialista do Núcleo de Inteligência e Informações em Saúde da Unimed Paraná, Marcelo Rosano Dallagassa, participou da mesa “Modelo Assistencial Integrado: desafios do Sistema Unimed”, conduzida por Luís Francisco Costa. Ele ressaltou a importância de compreender os desafios enfrentados, incluindo a aplicação de novas tecnologias, o envelhecimento populacional e a necessidade de garantir qualidade e segurança para os pacientes. Destacou, ainda, a perspectiva futura preocupante, com o sistema tornando-se praticamente insustentável, fator que evidencia o impacto significativo do uso de novas tecnologias em saúde para melhorar a eficiência e a qualidade do cuidado.

“O Projeto Simetria é um exemplo de ferramenta que visa a superar a fragmentação das informações e facilitar o compartilhamento de dados em todo o Sistema Unimed. É por meio da governança de dados e de iniciativas de integração, que conseguimos colocar o paciente no centro do cuidado, promovendo uma abordagem mais integrada e eficaz”, concluiu.