|
As cooperativas estão entre as instituições mais resilientes da economia e do sistema de saúde no Brasil. Mas a nova dinâmica de negócios, marcada pela instantaneidade e pela imprevisibilidade, decretou o fim da vantagem competitiva duradoura. Nesse contexto, sistemas complexos, como a Unimed, necessitam de estratégias flexíveis e adaptativas para lidar melhor com incertezas, novas ameaças e oportunidades de mercado.
A análise é do escritor Sandro Magaldi, cofundador da plataforma meuSucesso.com, de conteúdos sobre empreendedorismo por assinatura. O especialista em gestão abriu a programação do 4º Fórum Estratégico Unimed, na manhã de quinta-feira, 30 de maio. Para o autor, é a partir de sua essência e visão de futuro que as empresas devem traçar estratégias para adaptar e transformar seu negócio.
“No caso da Unimed, um elemento fundamental da essência é a cooperação”, identifica. “O sistema precisa abominar a competição interna, valorizar a intercooperação e a interdependência, entendendo que o grande desafio, possivelmente, virá de fora do setor”, aponta Magaldi, em referência a novos negócios baseados em tecnologias exponenciais, como as healthtechs e as bigtechs.
Até então, as operadoras de saúde cresceram buscando maximizar sua eficiência operacional em uma cadeia de valor linear e, em alguns casos, verticalizando. Esse caminho, que funcionou para mercados estáveis e previsíveis, não é mais suficiente para assegurar competitividade. Agora, diz o palestrante, são necessárias estratégias complementares e ainda mais foco na execução.
Em lugar dos modelos tradicionais, baseados na hierarquia de comando e controle, Magaldi defende que as organizações se comportem como uma rede informal, ou um ecossistema exponencial e multidimensional. O pensamento estratégico deve blindar o negócio central e explorar oportunidades em diferentes dimensões desse ecossistema, de forma a acionar novos motores de crescimento. O resultado seria uma empresa mais flexível e capaz de interagir, inovar e se adaptar para a captura de mais vantagens competitivas.
“Adaptação e resiliência tornam-se palavras fundamentais diante da incerteza radical. Temos de confrontar nossas crenças. O sucesso é o maior inimigo do sucesso e, no atual contexto, a principal ameaça é agir com a lógica do passado”, alerta Magaldi. Segundo ele, um dos desafios das cooperativas é mostrar aos cooperados e às novas gerações de médicos o valor da cooperação.

Incubadora de novos negócios
A sessão foi mediada pelo presidente da Unimed Participações, Adelson Chagas, que destacou a crescente atuação da holding como incubadora de novos negócios para potencializar as cooperativas, em linha com as ideias do convidado. Magaldi é coautor de dez livros sobre negócios, em parceria com José Salibi Neto, entre eles “Estratégia adaptativa” e o novo “A estratégia do motor 2: como tornar a inovação parte do dia a dia do seu negócio”, a ser lançado neste mês. Também apresenta o podcast “Gestão do amanhã”.
|