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Especialistas discutem o impacto das inovações na saúde suplementar e os desafios para garantir que novos tratamentos sejam acessíveis e sustentáveis. Mesa abordou ainda o processo de Avaliação de Tecnologias em Saúde.
 
 

Durante a 53ª Convenção Nacional Unimed, realizada no dia 10 de outubro, a mesa “Novos tratamentos: Como conciliar o avanço tecnológico e a capacidade de pagamento da sociedade” abordou uma questão cada vez mais crucial para o setor: a incorporação de novas tecnologias nos tratamentos de saúde e os desafios para equilibrar esses avanços com a capacidade de pagamento da sociedade.

O painel contou com a participação de Jorge Aquino, diretor de Normas e Habilitação das Operadoras (Diope), da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), o economista de saúde, André Medici, da Universal Health Monitor, e Julia Simões Corrêa Galendi, consultora do NATS.UB. A moderação foi conduzida por Sarita Garcia Rocha, diretora Administrativa, Técnica e de Operações em Saúde da Unimed Nacional, e Cláudio Laudares, diretor de Regulação e Informação da Unimed do Brasil.

A discussão centrou-se em como a evolução tecnológica, especialmente com a chegada de novos medicamentos e terapias avançadas, impacta diretamente os custos na saúde suplementar, conforme destacou André Medici em sua fala. “Seriam essas novas terapias e medicamentos sustentáveis? Essa é a pergunta de um milhão de dólares! É a pergunta que todos querem saber, porque as incertezas econômicas estão aí presentes, e basicamente isso afeta o diagnóstico específico das operadoras. É importante saber que essa incorporação de novas tecnologias e medicamentos ao rol de procedimentos de saúde tem gerado um debate intenso em termos da sustentabilidade desse processo.”

Além disso, foi abordado como a pandemia acelerou a demanda por tratamentos, como os voltados à saúde mental, cuja procura aumentou drasticamente, gerando ainda mais pressão sobre os planos de saúde. Em sua análise, Medici trouxe dados importantes que revelam o aumento de 50% nos atendimentos de saúde mental entre 2019 e 2021, impulsionados pela pandemia, e o crescimento contínuo nos anos subsequentes.

Júlia contextualizou a Avaliação de Tecnologias em Saúde (ATS), um processo multidisciplinar que utiliza evidências científicas para apoiar decisões sobre a adoção de novas tecnologias na área da saúde. Ela abordou o uso da ATS em diferentes contextos no Brasil e no mundo, com exemplos do Reino Unido e da Alemanha, explicando como as evidências são usadas para avaliar a eficácia, segurança, custo-efetividade e impacto orçamentário de novas tecnologias. Segundo Júlia, nem sempre a evidência de baixa qualidade impede a incorporação de uma tecnologia. “Em algumas situações, como doenças raras, precisamos aceitar uma efetividade baseada em dados limitados, porque o contexto é fundamental", frisou.

Jorge Aquino complementou a discussão ao destacar o papel regulador da agência em equilibrar as necessidades da sociedade com a viabilidade econômica das operadoras. Ele frisou que a ANS tem buscado estratégias para garantir a ampliação do acesso às inovações, mas com atenção à equidade e à qualidade da atenção à saúde.

Por fim, o debate deixou claro que o grande desafio atual é encontrar um ponto de equilíbrio entre a inovação tecnológica e a capacidade de pagamento da sociedade, uma questão que exige não apenas a regulação adequada, mas também um debate profundo sobre a sustentabilidade do setor de saúde suplementar no Brasil. 

Confira, abaixo, um vídeo com André Medici: