O Conselho Confederativo realizado em 15 de abril, na sede da Confederação, em São Paulo, teve como destaque a apresentação de uma nova metodologia para o Monitoramento Econômico-Financeiro do Sistema Unimed. Apresentada pelo vice-presidente Paulo Faria, a proposta amplia o escopo de atuação da área e reforça o suporte às Federações e Singulares, com foco na prevenção e na atuação antecipada.

A nova metodologia representa uma mudança significativa de abordagem. Até então, o acompanhamento da Confederação concentrava-se em Unimeds em situação grave já notificadas pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Com o novo modelo, passam a ser incluídas também cooperativas em situação crítica ainda não notificadas e aquelas classificadas em nível de alerta, priorizando ações preventivas.
O processo contempla ainda a notificação de cooperativas, independentemente da classificação, sempre que forem identificadas inconsistências contábeis ou não conformidades nos balanços. Para dar mais agilidade à atuação, a Unimed do Brasil encaminhou ofício à ANS solicitando o compartilhamento das notificações enviadas às operadoras do Sistema, permitindo respostas mais rápidas e a estruturação de planos de saneamento.
Desde janeiro, o novo modelo vem sendo disseminado, com a realização de mais de 27 reuniões com Unimeds enquadradas nos critérios de acompanhamento. A iniciativa reforça a solidez do Sistema ao priorizar a identificação precoce de riscos e a sustentabilidade econômico-financeira no longo prazo.
Governança sistêmica avança com novas normas
O superintendente Jurídico e de Governança, Daniel Januzzi, apresentou a evolução do projeto de fortalecimento da governança sistêmica. Após a vigência da nova Constituição, que teve início em 1º de janeiro, será necessário adaptar algumas normas derivadas e criar outras para regulamentar processos específicos que foram previstos no novo texto constitucional. Serão criadas duas novas normas, uma para estabelecer o rito de apuração e aplicação de infrações pelo Conselho Confederativo e outra para definir o regulamento da Câmara Nacional de Compensação e Liquidação. E a Norma Derivada 10, que trata de penalidades, será atualizada. A expectativa é que essas três normas sejam submetidas ao Conselho Confederativo para aprovação no dia 20 de maio.
Avanços no Intercâmbio Nacional e na Rede Assistencial
O diretor de Intercâmbio e Rede Assistencial, Claudio Laudares, apresentou duas entregas estratégicas ao Sistema Unimed. A primeira foi a conclusão da Avaliação da Rede Própria e evolução da rede Credenciada. Entre os hospitais próprios, 152 hospitais gerais foram classificados em níveis de 1 a 10, com predominância entre os níveis de 7 a 9. Na Certificação em Boas Práticas em Segurança do Paciente, 123 hospitais alcançaram o nível Diamante, oito foram classificados como Rubi, quatro como Esmeralda e 16 não obtiveram certificação. Já na rede credenciada, dos 1.772 hospitais previstos, 639 já foram avaliados.

O diretor também apresentou o Programa de Eficiência Assistencial e Segurança do Paciente, evolução do antigo modelo, agora com escopo ampliado para além da segurança do paciente. Foi deliberada a criação de um novo indicador no ranking das Unimeds, que tornará obrigatória a adesão ao programa para hospitais próprios que não atingirem níveis de certificação. Nesses casos, será exigida participação ativa, com cumprimento de reuniões e planos de ação. O descumprimento implicará classificação F e taxa administrativa de 4%. Com vigência a partir de julho de 2026, o programa será estruturado em quatro pilares: consultorias e visitas técnicas, encontros técnicos, elaboração de materiais de apoio pela Confederação e um simpósio anual, com foco na melhoria dos padrões assistenciais e no fortalecimento do Sistema Unimed.
Movimentos no mercado reforçam estratégia de autonomia tecnológica no Sistema Unimed
Encerrando a reunião, outro tema estratégico ganhou destaque: os movimentos recentes no mercado de healthtechs. Em menos de 90 dias, entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, fornecedores de software utilizados por Unimeds passaram por mudanças de controle, refletindo a consolidação global dessas empresas no Brasil, como nos casos do Tasy, adquirido pela Bionexo, e da Solus, pela Canopy. Ao apresentar o cenário, o superintendente de TI e Desenvolvimento de Novos Negócios da Unimed do Brasil, Maurício Cerri, destacou que esse movimento acende um alerta para organizações dependentes de tecnologias de terceiros, que passam a conviver com incertezas sobre continuidade, estratégia e governança das plataformas.
O tema não é isolado. Grandes empresas que hoje operam com excelência e agilidade, como iFood, Mercado Livre e Nubank, optaram por construir seus próprios sistemas de gestão, e essa escolha se mostrou um diferencial competitivo decisivo: quando a tecnologia é própria, ela responde à estratégia da organização, e não o contrário. “Não é coerente imaginarmos deixar nossa estratégia nas mãos de terceiros, sabendo que o Sistema Unimed tem estrutura, escala e visão para ir além. Soberania de dados não é um conceito abstrato, é proteção real do nosso negócio, das nossas Unimeds e dos nossos beneficiários”, afirmou Cerri.
Diante desse contexto, Cerri ressaltou que a Confederação vem se organizando para reduzir essa exposição, com iniciativas estruturadas como a Plataforma Sinergia, voltada à construção de uma base tecnológica integrada, proprietária e alinhada às necessidades do cooperativismo. A Unimed do Brasil também tem avançado no desenvolvimento de soluções próprias de gestão, incluindo o ERP Nexdom, Yuni, InterAll, Biodoc e Prontu+, reforçando uma estratégia de autonomia, soberania de dados e sustentabilidade tecnológica de longo prazo para o Sistema Unimed. |